A Termodinâmica da Incompetência
Sempre que ouço um CEO falar sobre “construir um legado” ou “perenidade do negócio”, sinto um gosto metálico na boca, semelhante a lamber uma bateria de 9 volts. É a biologia rejeitando a mentira. A verdade, nua e crua como um nervo exposto, é que nenhuma organização está sendo construída; todas estão, desde o momento do CNPJ, em um processo ativo e violento de decomposição. Vocês não são arquitetos de impérios; são apenas zeladores de um cadáver que ainda não percebeu que morreu.
A gestão moderna é, em essência, uma revolta adolescente contra a Segunda Lei da Termodinâmica. O universo tem uma preferência sádica pelo caos. A entropia dita que a desordem em um sistema isolado sempre aumenta. E o que fazemos? Criamos departamentos de Compliance, metodologias ágeis e rituais de Onboarding. São tentativas patéticas de varrer a poeira cósmica para debaixo do tapete. É como tentar impedir que uma maçã apodreça gritando palavras de ordem motivacionais para as suas células. O escritório corporativo não é um templo de produtividade; é uma geladeira quebrada onde tentamos convencer uns aos outros de que o cheiro de leite azedo é, na verdade, “cultura organizacional”.
Atrito e a Gourmetização do Desperdício
Para manter essa farsa de “ordem” e “estrutura”, o custo energético é obsceno. Ilya Prigogine chamou isso de estruturas dissipativas. Uma empresa só mantém sua forma porque consome quantidades colossais de energia (capital, sanidade, tempo) e vomita desordem para o ambiente externo. O lucro não é uma recompensa; é a eficiência com que você consegue converter a alma humana em calor residual.
Olhe ao seu redor. O tal “trabalho em equipe” é apenas atrito social gerando calor inútil. Reuniões de alinhamento são fornos crematórios de tempo onde a inteligência coletiva é incinerada para aquecer o ego de um gerente médio. E para suportar essa erosão diária, recorremos ao materialismo terapêutico. Tentamos compensar a desintegração das nossas vértebras e da nossa dignidade comprando fetiches de escritório. Investimos em uma cadeira ergonômica de preço pornográfico, acreditando piamente que uma malha de polímero espacial pode suspender a gravidade da nossa própria miséria. É o auge do cinismo: pagamos o preço de um carro popular para sentar com conforto enquanto assistimos à nossa própria obsolescência em telas de alta resolução. A lombar agradece, mas o espírito continua com escoliose.
O Fluxo do Esgoto
Não se enganem com a ideia de “fluxo” ou “estado da arte”. Um sistema em estado estacionário fora do equilíbrio não é um rio cristalino; é um ralo que ainda não entupiu completamente. O que vocês chamam de “geração de valor público” é, na física, apenas o subproduto térmico de um sistema tentando desesperadamente não colapsar sob o próprio peso. O valor é a fumaça que sai do motor prestes a fundir.
A estabilidade é uma alucinação estatística. Estamos todos presos num redemoinho, fingindo que controlamos a água, quando na verdade somos apenas os detritos girando em círculos antes de descer pelo cano. A sua “visão estratégica” para os próximos cinco anos é tão relevante para o universo quanto a data de validade de um iogurte esquecido ao sol. Que cansaço. Vou pedir outra dose, porque a entropia do meu copo está baixa demais.

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