A Farsa do Plano Estratégico
O “Plano Estratégico” de uma corporação moderna é, em essência, uma tentativa patética de domesticar o caos termodinâmico por meio de slides coloridos e palavras-chave que não significam absolutamente nada. No último encontro trimestral, enquanto um diretor com o carisma de uma porta descrevia a “nova visão”, ficou claro para mim que a gestão de pessoas degenerou para o nível de um rodízio de pizza de beira de estrada: começa-se com grandes expectativas de variedade e “sinergia”, e termina-se com uma azia existencial profunda, tentando digerir a massa crua do que eles insistem em chamar de “capital humano”.
A verdade, que nenhum consultor de LinkedIn vai admitir, é que o escritório não é uma família. O mercado de trabalho não é um lugar de sonhos. Se olharmos através das lentes frias da Geometria da Informação, o ambiente corporativo é um espaço métrico, uma variedade estatística onde cada funcionário é apenas um ponto flutuante em uma distribuição de probabilidade. A distância entre o seu “sucesso” e a sua demissão não é medida por mérito, mas por uma métrica Riemanniana distorcida pelos caprichos de um chefe que mal sabe abrir um PDF.
Curvatura
O que o RH chama carinhosamente de “engajamento” é, na física da informação, apenas a sensibilidade de uma distribuição a pequenas perturbações nos parâmetros de controle. Quando o CEO anuncia uma “mudança de cultura” — geralmente depois de ler um livro de autoajuda no aeroporto —, ele está, na verdade, tentando alterar a curvatura de Ricci do manifold da organização. É uma tarefa hercúlea e fútil, considerando que a maleabilidade cognitiva da maioria das empresas é comparável à de uma coxinha amanhecida na vitrine de uma rodoviária: rígida, oleosa e capaz de causar danos irreparáveis a quem tentar consumi-la.
Neste cenário, a Informação de Fisher atua como o tensor métrico do seu sofrimento. Ela não mede sua paixão ou criatividade; ela quantifica a “surpresa” que seu trabalho gera para o sistema. E adivinhe? O sistema odeia surpresas. O sistema quer a mediocridade previsível. Um funcionário com alta Informação de Fisher é aquele cuja ausência causaria um colapso na modelagem estatística do lucro. Mas, na prática, a maioria opera em um estado de redundância máxima, onde a sua contribuição individual é indistinguível do ruído térmico de fundo. Você é uma variável aleatória em uma distribuição de Bernoulli viciada, e a única coisa que te diferencia de um algoritmo é a sua capacidade de sentir dor nas costas.
Sobrevivência
Para suportar a dissonância cognitiva de viver em um espaço não-euclidiano onde a lógica é curvada pela gravidade do ego da diretoria, o trabalhador moderno recorre a fetiches de consumo. É aqui que entra a tragédia do conforto. As pessoas gastam o equivalente a um carro popular usado em uma cadeira de escritório ergonômica de alto desempenho, acreditando piamente que um suporte lombar ajustável em quatro eixos vai curar a agonia de uma vida dedicada a preencher planilhas que ninguém vai ler. É ridículo, mas compreensível. Quando a geometria do seu ambiente de trabalho é desenhada para esmagar sua alma, pagar cinco mil reais para sentar em algo que não destrua sua coluna vertebral parece um investimento racional. É o custo de manutenção da “máquina biológica” para que ela continue gerando mais-valia sem travar.
Entropia
A busca pelo tal “valor público” ou “propósito corporativo” é a maior piada de mau gosto da nossa era. No papel, é a maximização da utilidade social; na realidade, é uma distorção da curvatura do espaço de busca para justificar orçamentos inflados e reuniões que poderiam ter sido um e-mail. Imagine que você está tentando otimizar uma função de custo em um terreno acidentado; cada vez que alguém fala em “inovação”, a métrica se deforma, criando singularidades onde o dinheiro e a sanidade simplesmente desaparecem, como se fossem sugados por um buraco negro burocrático.
O problema fundamental é que o cérebro humano, esse pedaço de carne úmida e mal programada, insiste em procurar padrões onde só existe flutuação estocástica. O afeto que você sente pelo seu projeto é apenas um erro de processamento dopaminérgico, um bug na sua rede neural. A empresa é um sistema termodinâmico fechado caminhando inexoravelmente para a morte térmica, e a tal “estratégia” é apenas a fricção gerada nesse processo de decadência. Somos todos prisioneiros da geometria que nós mesmos desenhamos no guardanapo sujo de gordura da nossa ambição medíocre.
A conta, por favor. E se alguém vier me falar de “mindset” mais uma vez, eu juro que respondo com um compêndio de geometria diferencial na testa.

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