A tomada de decisão pública nada mais é do que uma briga de foice no escuro por um resto de comida, disfarçada de cálculo estatístico avançado. O que vocês, em seus delírios de civilidade, chamam de ‘consenso’ ou ‘democracia’, não possui a menor relação com ideais de justiça ou equidade. Trata-se, na verdade, de uma colisão inelástica de vetores de fome em um espaço topológico deformado pela mesquinharia humana. Aquilo que os livros de ciência política vendem como ‘Contrato Social’ é, na prática, o mesmo acordo silencioso e sujo que se faz em um vagão de metrô às seis da tarde: a aceitação passiva do cheiro de suor alheio e da falta de oxigênio como o preço mínimo para não ser esmagado pelas portas automáticas. É a minimização da distância de Fisher entre a vontade de sobreviver e a vontade de matar o passageiro ao lado, um ponto de sela onde a inércia social impede o colapso total, mas garante a infelicidade perpétua.
Não se iludam com a retórica corporativa de ‘alinhamento’ e ‘sinergia’. Quando um conselho administrativo se reúne para definir o futuro de uma corporação — ou de uma nação —, o que ocorre é uma manipulação grotesca da geometria Riemanniana para justificar o injustificável. O executivo sênior, recostado com arrogância em sua cadeira ergonômica de design premiado, não está calculando o bem-estar coletivo; ele está ajustando a curvatura do espaço-tempo corporativo para que o corte nos salários da base flua com a menor resistência termodinâmica possível para os bônus da diretoria. Para ele, a ‘métrica’ não é uma ferramenta de justiça, mas um instrumento de extração, talhado para transformar o suor alheio em dividendos com a precisão cirúrgica de quem não precisa pegar ônibus.
Observem a dinâmica de uma reunião orçamentária: é a encenação patética de estagiários famintos disputando a última fatia de uma pizza fria. Cada argumento lançado à mesa — ‘eu mereço mais porque fiquei até mais tarde’, ‘minha equipe performou acima da média’ — não é um dado objetivo, mas uma distorção do espaço informacional, uma tentativa desesperada de criar uma gravidade artificial que puxe os recursos para o próprio prato. A tal ‘justiça distributiva’ é apenas o resultado vetorial da capacidade de cada indivíduo de mentir com convicção e falar mais alto que o ruído de fundo. Nesse cenário, a verdade é apenas um ruído térmico indesejado que deve ser filtrado. A curvatura desse espaço não é euclidiana; ela é moldada pela ganância, onde as linhas paralelas da moralidade se cruzam e se anulam sempre que há dinheiro na mesa.
E assim, o ‘líder’ saca sua caneta-tinteiro de resina preciosa, um objeto fálico de autoridade que custa mais do que a educação de um funcionário médio, para assinar o veredito. A tinta que flui no papel não sela um acordo de cooperação mútua, mas sim a rendição incondicional da maioria à física brutal da hierarquia. O que chamamos de ‘decisão’ é apenas o colapso da função de onda da covardia coletiva, o momento exato em que a energia potencial da revolta é dissipada em suspiros de resignação e murmúrios de corredor. A sociedade não busca o progresso; ela busca apenas o estado de menor energia onde possa continuar a rastejar sem ser incomodada pela própria consciência. É uma arquitetura da miséria, construída sobre pilares de retórica vazia e decorada com o ouro dos tolos.

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